E ENTÃO CONHECI O ROCK!

Chegado o mês do rock, não podemos deixar de homenagear os grandes expoentes que nos trouxeram até aqui. E lembrar de como eles entraram em nossa vida é um daqueles exercícios mentais muitas vezes automáticos, mas sempre divertidos, especialmente quando vêm acompanhados de boas histórias! 

Entre meus 12~15 anos, a programação padrão do fim de semana era sair da aula sexta feira ao meio-dia, ir até a locadora de games (saudades, Galera Games!) e pegar a promoção "Alugue 3 jogos e pague só uma diária de cada até 2a feira". Sempre fui mais dos adventures e RPGs, mas de vez em quando gostava de pegar algo diferente, pra "socializar" o videogame. Já havia levado alguns de corrida, mas no SuperNES eles ainda não eram bons como começaram a ser a partir da geração seguinte de consoles (apesar de termos criado calos nos dedos jogando Top Gear). Um deles, porém, tinha uma pegada diferente, e simplesmente mudou a minha vida. 

Pois o Rock n Roll Racing não era um jogo de corrida qualquer. Ele simplesmente unia corrida, mega clássicos do rock, e explosões! Nada melhor para um pré-adolescente. Lembro perfeitamente do momento em que liguei o console. O riff matador de Bad to the Bone do George Thorogood & The Destroyers saindo rachando pelos falantes da TV, e o logo de entrada do jogo com aquela banda espacial (3 extraterrestres tocando guitarra, baixo e bateria), com carros armados com raios laser atrás... totalmente excelente. Eu estava com o Dark, um dos meus melhores amigos (que na época ainda era simplesmente Rodrigo), e ficamos os dois vidrados olhando aquilo, sem ousar mexer nos controles pra não correr o risco de cortar aquela vibe irada. Só que aí o jogo entrou no modo de demonstração de corrida, e os portões do inferno terminaram de se abrir para nós: começou a tocar Paranoid, do Black Sabbath, que ele reconheceu de imediato e começou a balançar a cabeça, enquanto os carros começaram a correr e distribuir mísseis enquanto a trilha sonora nos atropelava.  

- Cara, meu pai tem um vinil com essa música, ele ME NINAVA com um vinil dessa banda! 

Pensamos por um momento no que ele havia dito, e num movimento rápido após aquela assimilação, saímos literalmente correndo até a casa dele, que era meu vizinho. Chegamos lá e "explicamos" pro pai dele como era a música, e cantarolei pela primeira de tantas vezes um riff que, mal imaginaria então, viria a se tornar hino e parte inseparável da minha vida. Ele pensou um pouco, buscou uma caixa de papelão empoeirada, e entre uns outros vinis de Mano Lima (essa é outra história), Jovem Guarda, Ney Matogrosso e outras pérolas, ele puxa aquela coisa inacreditável com um crânio em cima de uma bíblia aberta pegando fogo, BLACK SABBATH escrito com sangue escorrendo, e o subtítulo THE KINGS OF HELL. Maravilhosamente demoníaco, surreal, inesquecível.  

Black Sabbath - The Kings Of Hell

- Acho que é esse aqui - disse o Seu Jorge, sorrindo ao ver nossas caras com olhos arregalados. Logo alertou - Muito cuidado com ele, é relíquia! 

Colocamos pra tocar, e oficialmente conheci a banda que me transformaria de tal forma, que nunca mais fui o mesmo; a chama foi então acesa, e passei a perseguir o rock n roll implacavemente, desde aquele singelo momento. Eu literalmente divido minha vida entre "Antes do Sabbath, e Depois do Sabbath". Ou seria antes e depois do Rock n Roll Racing? 

E “de bônus”, a trilha sonora do jogo ainda continha Highway Star do Deep Purple, Born to be Wild do Steppenwolf, além de várias referências a outras personalidades e músicas/bandas, como os pilotos Snake Sanders (baseado em David Coverdale), Cyberhawk (baseado num disco do Judas Priest), Jake Badlands (Jake E. Lee), Grinder X19 (Judas de novo), Roadkill Kelly (cujo rosto misturava o Exterminador do Futuro com Sebastian Bach), J.B. Slash, RIP, Shred... Não preciso dizer que ainda o aluguei várias vezes depois, até finalmente comprar o meu. 

Não tinha como; 

"Tava escrito"  

Deu no que deu \,,/

 

Por Leonardo Bacchi

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